quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O texto anterior apagou-se. De repente, já lá não estava. Acredito em sinais e este é apenas mais um. O sinal de que o recomeço está marcado para este texto. Acredito tanto nisto! Acredito em mim, ainda que tudo leve a crer que isso é um erro. Têm sido anos duros... Tenho passado tempos gélidos em florestas cujas roseiras se excedem em picos, mas desistir é para os fracos. Ainda que nada faça sentido, e mesmo que a frustração me torne infeliz durante alguns dias, eu tento escrever para me conseguir perdoar. Tento perdoar as calorias a mais ingeridas durante o dia de hoje, e rezar para que o pseudo-apetite seja fácil de controlar no dia de amanhã. Sei bem do meu distúrbio. Não vem de agora... Mas quero que vá agora. Amanhã é o novo dia e amanhã eu sei que vou mudar. Vou fazer tudo o que está ao meu alcance para me mostrar que estes anos não foram em vão. Amanhã é o primeiro dia. O começo. Esqueçamos o re no recomeço e comecemos de novo. Acredito em mim com as forças todas que tenho no corpo e na mente. Juntemos a alma e sairei como vencedora. Jamais vencida. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Biografando

O momento em que descubro que eu já não sou eu é aquele em que começar a escrever me dá apertos no coração. Perdi a noção do tempo, e com ela foi a estética da escrita. As palavras deixaram de combinar e as frases não encaixam como eu sempre sonhei que encaixassem. Arrisco-me a afirmar que o meu maior defeito é ser sonhadora e viver no mundo em que as fadas superam as bruxas e os duendes são os reis da floresta. A asma dificulta-me a respiração noturna e não consigo escrever um texto sem mudar de posição umas quantas vezes. As adversidades tornam as coisas mais apetecíveis e com tal, eu tenho mais vontade de brincar com este jogo de palavras! O mundo gira e eu vou acompanhando a passo de caracol, porque a insuficiência respiratória que sinto neste momento não permite outra coisa. Assim como outros tipos de insuficiências me vão impedindo de chegar onde eu quero na vida... Esta, o médico detetou-a... E as outras?! Essas, eu continuo sem conseguir chegar até elas. Estão entranhadas em cada bocadinho meu, e eu sou preguiçosa ao ponto de as deixarem viver lá. Ajo da mesma forma que um cão carregado de pulgas... Estão a abusar de nós, mas conformamo-nos com aquilo que nos vai consumindo aos poucos. Deixamos que nos atormentem de tal forma, que podem arruinar-nos. Escrevo este texto porque quero recomeçar. Quero ser o meu próprio remédio das pulgas e conseguir matar os meus demónios um a um. Tenciono fazer tudo o que está ao meu alcance para me tornar naquilo que eu quero- e sempre quis. Quero pôr na cabeça que não sou um caso perdido, e que o caminho começa agora.